CAMPINAS REAGIRÁ

Recentemente assistimos a mais um triste episódio envolvendo a administração pública da cidade de Campinas/SP, com o prefeito Jonas Donizette sendo condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo à perda do mandato e ao pagamento de severa multa por improbidade administrativa, demonstrando que, independentemente de ideologia ou sigla partidária, os desmandos se tornaram crônicos no município, ao menos nos últimos quinze anos.

É preciso que aqueles que almejam o poder na cidade tenham em mente que a população, definitivamente, não suporta mais a forma decadente de fazer política consubstanciada no velho “toma lá, dá cá”, envolvendo, licitações fraudulentas, favores a financiadores de campanha e a contratação em massa de aliados políticos, dentre outros desvios.

Que a democracia exige uma interação entre executivo e legislativo, é fato. O problema é que a realidade demonstra que essa parceria não tem ocorrido de forma republicana, graças à permanência dos mesmos atores no cenário político municipal, os quais não acreditam, ainda, que a sociedade mudou, e está cada vez mais vigilante, indignada quanto a desmandos e informada.

Campinas é um município destacado no cenário nacional. Grandes nomes da política estadual e nacional surgiram na cidade, sempre enaltecida pelo alto conteúdo intelectual e cultural que possui.

Em que pese essa característica peculiar, não se vê, na prática, quase não se vê efeitos positivos dessa situação. O povo continua a ver uma política que não se desapega dos vícios e que não consegue gerar o desenvolvimento e qualidade de vida desejados pelos cidadãos.

Os governantes são trocados e os problemas, já crônicos, permanecem, demonstrando claramente que, enquanto os mesmos grupos se revezarem no poder, a situação não mudará.

O interessante disso tudo é que o problema não está na máquina administrativa. Os servidores são, ao lado do povo, as maiores vítimas da falta de seriedade no trato da coisa pública. Ganham mal, não tem perspectiva de avanço em suas carreiras e, quase sempre, são comandados por pessoas que sequer têm capacitação técnica para ocupar cargos públicos na condição de comissionados.

Esse, verdadeiramente, é o câncer da administração pública: pessoas contratadas para ocupar cargos sem a formação técnica necessária, apenas por apadrinhamento político, quando o ideal seria a utilização de servidores de carreira para ocupar determinadas funções, o que seria muito mais econômico para a administração.

Quanto a essa e a outras mazelas da cidade as redes sociais e a imprensa em geral não têm poupado os gestores públicos, demonstrando a importância do seu papel esclarecedor e formador de opinião, em busca de soluções para o município que levem à melhoria da qualidade de vida da população.

Que as forças políticas da cidade repensem a sua conduta e não acreditem que jogadas de marketing político valerão alguma coisa no próximo pleito, em 2020. O povo está atento, mais organizado e informado do que nunca, e os efeitos disso se farão sentir, quando, oxalá, todos aqueles que embasaram erros e distorções na gestão pública forem alijados do poder.

Antes disso, porém, é possível crer que muitas coisas estão por vir no cenário político-policial da cidade. É previsível que mais nomes ganhem destaque no atual imbróglio de improbidade administrativa, já que a magnitude dos problemas torna impossível que apenas uma pessoa seja a causadora dos desvios.

Para que uma mudança real ocorra é fundamental que não haja esmorecimento daqueles que, tendo condições ou a função de denunciar desmandos, o façam, incluindo-se nesse contexto a imprensa, que tem desempenhado papel destacado no desvelo desses aparentemente intermináveis novelos de má gestão.

Com o povo atento e vigilante, e informações precisas ao alcance de todos, Campinas mudará o seu curso, trazendo dias melhores para todos os seus habitantes. Como sempre, tudo dependerá da vontade e atitude da população.

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